O meu menino completa hoje 18 meses de vida!! 18 meses de uma alegria imensa, que nasceu no dia em que descobri que estava grávida e que começou a crescer imensamente a partir desse mesmo dia!
O dia em que te conheci foi um dos dias mais felizes da minha vida!! Olhar-te pela primeira vez e receber em troca um olhar pequenino, meigo e tão doce... Aquece-nos o coração e a alma!!
Reparei que nunca contei aqui como foi o parto do Rafael, e como nunca é tarde demais (lembro-me ainda como se fosse hoje), deixo-vos o relato desse dia (para mais tarde recordar!):
Dias antes
A desmotivação, a ansiedade e o cansaço faziam parte da minha rotina diária: as constantes doenças da Bia; o saber que a minha médica tinha ido de férias e, mais uma vez, não me poderia acompanhar; o saber que teria de deixar a Bia durante os 3 dias de internamento, estando ela tão ligada a mim; e principalmente ter de fazer uma nova indução (a lembrança do que tinha sucedido no parto da Bia aterrorizava-me)!!
O dia D
O dia começou cedo, sendo que às 9h já estava a dar entrada, com o meu marido, nas urgências do Hospital P.H.. Depois de algum tempo à espera, fui chamada para fazer a colheita de urina e o CTG. Estive lá perto de uma hora. Entretanto tornei à sala de espera e fui ter com o meu marido, iria ser novamente chamada para falar com a médica de serviço. Pouco tempo depois, chamaram-me. Fiz uma ecografia. Estava com dois cm de dilatação, colo mole e o rapaz estava bem posicionado, tudo para que o parto corresse bem. Depois tivemos uma longa conversa onde me questionou sobre alguns assuntos referentes ao parto anterior e ao meu histórico clínico. Questionou-me também sobre os meus medos e receios e tranquilizou-me dizendo que desta vez ia ser diferente! Disse-me que me ia encaminhar diretamente para a sala de parto, mas para antes aplicar um clister. Entretanto, o meu marido foi ao carro buscar as malas e o kit de criopreservação.
Cheguei à sala de parto por volta das 11 horas. Aconselham-me a tirar duas camisas de noite, para poder trocar depois do bebé nascer, por essa razão decido vestir a mais antiga (a do ano anterior - má opção!). Colocam-me o CTG e o soro com a ocitocina e começa a espera ao longo de várias horas. Íamos passando o tempo a tirar fotos, a contar as contrações, que até ao momento não me incomodavam muito, e com o meu marido a prevenir-me das contrações mais fortes (ficou fascinado com o ecógrafo!). Entretanto a enfermeira que me assistiu no parto da Bia e a médica de serviço, iam falando comigo e vendo sempre se necessitava de alguma coisa. Posso dizer que estava calma, animada e mesmo muito ansiosa para conhecer o piolho!!
Por volta das 16 horas veio a anestesista para me introduzir o cateter. Sempre que me tentava espetar a agulha eu sentia uma fisgada (tipo choque elétrico) que me percorria parte das costas. Por isso informei-a desse facto. E não é que ela começa a dizer que isso não pode ser e que eu estou é nervosa e não estou a sentir nada?! Para me acalmar e me tentar manter quieta!! Com as contrações, os choques elétricos e a começar a hiperventilar não ia ser muito fácil não!! A enfermeira ainda questionou o facto de me poder estar a espetar um tendão, mas ela retorquiu imediatamente, dizendo que eu não estava a sentir nada!
Bem, se houve momento em que fiquei nervosa foi este! Durante toda a minha "estadia no hotel" não conheci ninguém tão arrogante e frio como esta anestesista!
Depois de ter levado a epidural, fiquei com um pé dormente... Quando lhe disse isso, ficou muito mais prestável e disse para lhe comunicar mal essa sensação começasse a desaparecer, o que aconteceu passado pouco tempo, mas "esqueci-me" de a avisar, o que fez com que de tanto em tanto tempo viesse perguntar se estava tudo bem! Até o seu tom de voz se alterou, ficando muito mais doce... (estou a pensar num nome feio, mas é melhor não escrever!)
Mais umas horitas de espera... que não custaram muito a passar porque nunca tive realmente dores fortes. Continuava bem disposta e animada (posso dizer que a enfermeira que me acompanhou era maravilhosa, do mais querido possível!). A partir daqui não sei precisar muito bem as horas, porque as coisas se começaram a desenvolver mais rápido, quer dizer, não é que fosse mais rápido, mas para mim o tempo voou!!
Seriam umas 18 horas quando a médica me veio fazer o toque e rebentar as águas. Durante vários momentos sentia a água a escorrer, mas não era contínuo, nem muita de cada vez. As dores começavam a aumentar um pouco o que fez com que passado algum tempo pedisse o reforço da epidural. A enfermeira continuava na conversa comigo enquanto preparava as roupinhas do meu pequenote. Depois informou-me que se ia embora, pois estava a acabar o seu turno. Nesse momento fiquei triste (não sabia o que me esperava), já tinha sido ela a acompanhar-me durante o parto da Bia, assim como a do meu piolho sem nunca chegar a ver nenhum dos dois! Uma querida mesmo!!
Entretanto e uma vez que era a única grávida nos blocos de parto (todas as que tinham chegado, já tinham ido embora!), toda a equipa médica e de enfermagem veio para o meu quarto. Só mulheres!! A Partir daí foi uma animação pegada. O objectivo era ver se conseguiam fazer com que o Rafael nascesse primeiro que a irmã!
Quiseram saber o porquê de ter sido "referenciada" para aquela equipa em particular e contei-lhes do sucedido no parto da Bia. O interesse foi tanto que se deram ao trabalho de ir ver quem era o médico de serviço nessa altura, uma vez que eu já não me lembrava do nome. Depois foi uma risota! Questionaram-me também porque razão tinha sido marcada a indução para as 38 semanas e disse-lhes que nos vários exames efetuados, os percentis indicavam já um bebé de 40 semanas.
Entretanto disseram-me para começar a puxar (seriam 21 horas?) sempre que tivesse uma contração, sempre sozinha, apenas com o incentivo da equipa, lá ia fazendo força. Fiquei a saber que tinha muitas contrações mas de curta duração, o que fez com que tivesse de puxar mais vezes que o normal. Passado algum tempo disseram-me que já se via a cabeça, para continuar porque já eram quase 21:20 (a Bia nasceu às 21:25), risota! Ensinaram o meu marido a ajudar a empurrar o rabo do piolho, que se sentia na minha barriga e, depois de uma pequena episiotomia, o meu pequenote nasceu... Eram 21:40!
Vinha tão enroladinho que a enfermeira disse: Ó mãe, afinal o bebé não é assim tão grande!
Depois desenrolou-o e só se ouviu: Ei lá, que o rapaz é comprido... e gordinho!!! Ninguém diria! Mais uma vez risada geral!
Mal o tiraram colocaram-no em cima de mim, mas ele não chorava, por breves segundo fiquei gelada a pensar no pior, até que ouvi a médica dizer: então papá, não quer vir cortar o cordão? Ainda a tremer de emoção, o meu marido lá deu a tesourada! E depois.... Buuaaaáááá... Que vozeirão tinha o meu piolho!
E assim, às 21:40, com 3,850 kg, do dia 1 de Outubro, nasce o meu 2.º tesourinho!!!
Foi sem dúvida o dia mais feliz da minha vida, pelo nascimento do meu filho, pela calma, serenidade, humor e magia que acompanharam o momento e pela equipa espetacular que tive o prazer de conhecer!!


